sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejo de Ano Novo

O tempo me impede de fazer todos os meus desejos, mas dentre todos eles, se eu pudesse escolher apenas um, eu escolheria estar com você.

Feliz ano Novo a todos!!
(Ainda que eu não esteja muito otimista nesse momento e vendo Copacabana apenas pela TV. Tristeza!)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Agradecimento Aos Céus

Se me perguntares porque sumi, pedirei perdão. Não sei se é em razão dos afazeres ou se os afazeres são em razão da distração, que me faz pensar não ter outras coisas a fazer e assim, não ter tempo de lhes falar.
Perdão mais uma vez se as esqueci, juro não ser por mal! Adorava recitar sobre poesias e sonhos, dos que a gente sonha acordado ou dormindo - tanto faz, são todos sonhos, vontades ardentes, consequência do respirar. Saibas que ainda vejo o coelho na Lua...
E ainda que não me vejas, que seja só o vosso brilho - não te preocupes - eu vos vejo, confio e considero. É bom olhar para o alto, vos ver vigilantes e fiéis. É bom saber que tenho algum lugar para onde fugir depois daqui.
Das longas conversas olhando a pintura emoldurada pela janela, da chuva que passou e da espera; do entardecer, dos suspiros e do cheiro de terra; dos amigos deitados na grama, dos segredos e o pijama: A criança, a mudança e a lembrança.
Enfim estrelas, obrigada por ouvirdes minhas loucuras tagarelas!

"Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! (...) E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"
[O Pequeno Principe - Saint-Exupéry]

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto... 

E conversamos toda noite, enquanto 
A Via Láctea, como um pálio aberto, 
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto. 

Direis agora: "Tresloucado amigo! 
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizes, quando não estão contigo?" 

E eu vos direi: "Amai para entendê-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas". 


[Ouvir Estrelas - Olavo Bilac]

sábado, 25 de dezembro de 2010

There's Color Everywhere


"What's this? 
There's white things in the air
What's this? 
I can't believe my eyes
I must be dreaming
(...)

They're hanging mistletoe, they kiss
Why that looks so unique, inspired
They're gathering around to hear a story
Roasting chestnuts on a fire
What's this?

In here they've got a little tree, how queer
And who would ever think
And why?

(...)

They're covering it with tiny little things
They've got electric lights on strings
And there's a smile on everyone
So, now, correct me if I'm wrong
This looks like fun
This looks like fun
Oh, could it be I got my wish? 
What's this?"

[What's this? - The Nigthmare Before Christmas]

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desnecessidade

Sinto sua falta e é irreal quando dizes que vem me ver. Te sinto tão incondicional e disposto...
Sei que gostamos das coisas não ditas, de deixar subentendido. Pra língua já achamos outro gosto. Mas gosto de você, o quanto ainda não sei medir. Sei que gosto. E ponto. E basta!
...pelo menos pra mim.
Talvez eu pudesse dizer mil coisas, florear e desenhar coraçõezinhos nas bordas da página. Mas é estranho, é como se eu sempre tivesse sentido isso, como se já soubesse desde sempre, como se o mundo soubesse desde antes de mim.
É simples, é comum e até ficar entediada do seu lado me deixa de bom humor... até você precisar ir embora de novo.
Amo os seus pequenos gestos. Quando você desenha com os dedos os traços do meu rosto e das minhas tatuagens, quando ri de mim e quando diz "não" se seguro o seu nariz. Gosto do seu cabelo molhado depois do banho - sei que você não. Da camisa listrada que você colocou no dia do meu aniversário (você realmente acha que eu precisaria de presentes te tendo aqui?). Gosto, enfim de quando você se preocupa comigo, pede pra eu tomar cuidado ou o remédio, pergunta se minha dor passou e como foi o meu dia.
Gosto do seu silêncio e tenho vergonha dos meus exageros.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Passatempo, Passa...

Pra falar a verdade eu já deveria estar dormindo, mas parece que tem algo pesado sobre mim: acho que me sinto menos "eu" quando escrevo pouco - ou não escrevo. Escrever é algo dos inquietos, faz parecer que o mundo é mais simples e compreensível.
Pensei em mil coisas para desabafar aqui, mas os minutos têm me odiado cada vez mais e acho que as horas estão aprendendo com eles, se afastam de mim ligeiro. A ultima semana foi intensa, tive pelo menos uns cinco aniversários (incluindo o meu, se perguntarem eu ainda tenho 18), passei no meu exame de moto (agora falta o carro), trabalhei bastante e entrei na pior crise de TPM da minha vida. Ontem, que na verdade é antes de ontem, fui na formatura dos terceiros de 2010 e morri de saudade da minha, quase disse "meus pesares" em vez de "meus parabéns" para os formandos. E já que comecei com isso... sinto falta demais da escola! Aquilo era meu porto-seguro, acordava de manhã, estudava e só fazia algo a tarde e a noite se eu quisesse. As coisas não eram obrigações e por isso era bem mais divertidas, pensar no amanhã era só um passatempo despreocupado e tranquilo, agora é só a decisão da minha vida.
Mas como diria Clarice "Enquanto eu tiver perguntas e não tiver respostas continuarei a escrever." 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fênix

 Desculpa se as vezes faço disso aqui um diário, mas é que nesse caso escrevo muito mais para mim mesma do que para os outros. Tenho medo de esquecer momentos legais ou difíceis - com os quais aprendo muito. Hoje foi um dia tranquilo, andei com minha irmã pelo comércio da cidade e faz um tempinho que cheguei da penúltima aula de moto, não vejo a hora de ter minha carta de motorista!
Mas não foi pra falar de hoje que começei com essa história de diário, quero falar do último sábado, dia 4 de dezembro. Foi nesse dia que vi diante dos meus olhos que sonhos mágicos não são impossíveis, que as vezes a gente para de acreditar nas coisas mas as coisas ainda acreditam a gente, que mortos ressurgem das cinzas:
Deviam ser umas 7:40, ou um pouco mais, a cortina do Theatro Avenida estava por abrir e eu diante de uma mesa cheia de botões, a luz em minhas mãos. Ansiedade era pouco, todas as palavras que seriam ditas lá embaixo foram escritas por mim.
Tive tantos medos. De errar, de não aparecer ninguém, de não gostarem, de acontecer um desastre...
Mas Deus é grande e deu tudo mais que certo. Só recebemos elogios sobre a nossa peça "A Liga Da Natureza" - roteiro meu, adaptação de Sillas Henrique, titulo de Viviane Rissardi e direção de Thiago Jacot - é um infanto-juvenil que valoriza a cultura indígena e o folclore, tem foco na lenda da Serra da Mantiqueira (região onde Espírito Santo do Pinhal se localiza), sem esquecer, é claro, o meio ambiente.
Casa cheia, tudo lindo, pessoal animado, mudas de árvores sendo distribuídas, lágrimas de emoção - um tanto de tristeza também, Trupe TAC passando por dificuldades, superaremos! - e convites para próximas apresentações.
Pra terminar, aí vão algumas fotos e trechinhos do roteiro:

Conta a lenda que havia uma Índia da Brava
Tribo Guerreira do Povo Tupi.Seu nome o
tempo esqueceu, seu rosto a lembrança
perdeu; só se sabe que era linda. Era tão
linda que todos a queriam, mas ela
não queria ninguém...




Suas lágrimas são um tanto ousadas por refletir minha
luz. Elas não podem fazer isso, toda a luz deve vir
apenas de mim. Portando terei que enxugar cada uma
dessas suas lágrimas impertinentes. Você é tão linda!
Tupã ergueu a maior montanha que existia e lá dentro
encerrou a Índia. O Deus-Sol, de dor, sangrou poentes
e quis se afogar no mar. Eu, pela dor daquele que
sempre amei, chorei infinitas estrelas em prantos de
luz. Mas ninguém sofreu mais que a Índia,tão bela,
que nunca mais poderá ver o dia, que nunca mais
sentirá o Sol. Ela chorou rios de lágrimas. Seu povo
esqueceu seu nome, mas a chamou de Mantiquira, a
"Serra-que-chora". Mantiqueira, a montanha que a
cobriu. Conta a lenda que foi assim...

PS: Obrigada a todos que ajudaram esse sonho ser real, desde nossos patrocinadores até amigos e família. E parabéns a toda a Trupe, que apesar das diferenças permaneceu unida e foi digna de orgulho. Vida longa ao Teatro!


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Palavras Que Não, Cenas Que Não

Vazio. Cheio de palavras que não escrevi. Amaria tê-las escrito, mas não sei se ainda é assim...
Achei que estivéssemos na mesma praia, olhando o mesmo mar. Seria só deixar marcas na areia e te encontrar. Te abraçar, te sentir, te falar, te beijar, te ser, te sonhar, te amar.
Estamos sim, olhando o mesmo mar, mas as areias são diferentes, grudaram nos meus pés e não me deixam encontrar a água que te toca do outro lado.
Talvez em outros tempos eu quisesse ser água. Ou talvez não gostasse dela. Ciúmes.
Argh! Não importa!
Nada. Todo de cenas que não vivi. Amaria tê-las vivido, mas não sei se isso é pra mim...
Fiquei quieta para saber se você sentia falta das minhas palavras, você me respondeu com silêncio... E se quer saber, eu senti mesmo falta das suas!
Silêncio. Gritando palavras que não disse. Amaria tê-las dito, mas não sei se ainda é o fim...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Xícaras e Café

A casa não parece casa sem ela. As coisas são todas as dela, incluindo o cheiro e a ausência.
É tudo espaçoso demais sem a presença silenciosa e gorda. Senti falta dos poucos resmungos de compreenção e do convite para o café. O café, este que gosto muito menos do que ela, estava ainda quente na garrafa, era fresco e me lembrava rugas e surdes. Nunca gostei de café, mas esse gosto na minha boca é dela. Gosto de café.
De xícaras também. Vazias da bebida. Cheias de cascas de goiaba nas férias de verão.
Separando os comprimidos de diabetes e pressão.
Medindo os ingredientes da receita..
De quantas precisaria pra contar minha vida mal feita?

Conto os minutos para o fim do expediente de maneira preguiçosa e covarde.
Sorte que ela volta no fim da tarde!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Se...

Se eu tivesse certeza do que realmente vale a pena...
Se eu tivesse certeza que você vai estar sempre do meu lado...
Se eu tivesse certeza sobre quem sou, sobre quem quero ser, sobre quem posso ser...

Se eu fosse menos mimada...
Se eu fosse independente...

Se eu não chorasse achando ser a solução...

Se eu fosse a solução!
Sou Raimundo...

Vasto mundo, se...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Começo

Hoje acordei e você não estava mais ali do lado. Naquele momento entre sono e despertar, sonho e lucidez você quase conseguiu transpor aquele fio de prata que me leva aos seus beijos, te vi a meio suspiro dos meus dedos.
Não foi por querer que você se levantou e foi, mas sentei no seu lugar e senti tanta ausência... o vazio mal me deixou existir.
É tão fácil ser do seu lado, deitar no seu colo, olhar o teto e esquecer o mundo.
Eu devo ter o sorriso mais idiota de toda a Terra. Você me diz bobagens sem sentido, eu rio de todas elas e digo piores. Mas o pior é sentir tanto a sua falta.
Queria tanto eternizar nossos momentos nesse pedaço bobo cheio de palavras, são tantas coisas e foco em nenhuma delas. Meu reflexo no seu olho, suas mãos nas minhas costas, os meus dedos decorando seus traços, a minha testa na sua e o calafrio na espinha ao conhecer seus lábios. Me acostumei tão rápido a ter você do meu lado e mais rápido ainda tive que te deixar a meio caminho do meu.
Não me atrevo a ver defeitos em você, nem a pensar em depois de amanhã se as coisas não forem mais assim. Quero mais é que o mundo acabe aqui!


E fim...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Monotonia

É bom te falar sobre as coisas à toa da vida. Te imagino rindo comigo e todas elas são bonitas. Te falar sobre a monotonia dos dias faz com que todos eles sejam diferentes, sentindo inacabável e igualmente a falta.
Penso ouvir sua presença...
Saudade dos seu toques sem intimidade, reclusos, vexados; da nossa alegria sem palavras ao ouvir a respiração um do outro ao telefone; da sua timidez; dos seus olhos negros e brilhantes; do seu jeito bobo e serio de brincar comigo naquele fim de semana. Saudade de você do começo ao fim da semana.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Números - O Tempo E O Espaço

Eu quero escrever mas nada de bom me sai. É péssimo quando as coisas começam a ser assim. São amontoados de textos e todos eles, de alguma forma, falam de você. Eu conto quantas palavras do meu dia sentem a sua falta, as que eu digo nem tanto, mas as que eu penso só pedem por você. Os números só servem para contar as palavras.
Me pego lembrando, imaginando, devaneando e me pergunto: Desde quando? Olho para o chão e vejo o mar, deixo a paisagem tediosa daqui e vou pra outro lugar onde eu consigo te encontrar...
Dois dias, um mês, três meses, quatro meses, cinco meses. Meio ano. O tempo todo sente  sua falta. Os números o contaram em horas, dias, semanas, meses e lá se vai o ano. Também contam em quilômetros, e eu tinha a esperança de que eles diminuíssem com o passar dos dias. 
Mas os números não me contam o som a sua voz, o seu toque, o seu cheiro...
Isso nem as palavras fazem, elas são apenas menos deficientes.

Estava fuçando nos rascunhos do blog e achei dois textos, juntei eles e acrescentei uma dúzia de palavras pra fazer um pouco mais de sentido, - se é que algo tem sentido quando se trata de você - e o resultado foi isso aí encima.
Hoje vi um filme, ele me fez pensar em você - não que eu precise de algo pra fazê-lo. The Time Traveler's Wife (se já queria o livro agora quero mais ainda), Henry viaja involuntariamente no tempo, encontra e desencontra sua esposa em várias épocas de sua vida. Algumas vezes ela fica chateada com ele, briga, discute. Mas apesar da distância e do tempo eles são o amor um da vida do outro, não que tudo acabe bem, mas... a certeza de ter sua alma gêmea faz as coisas serem melhores. Já me peguei pensando sobre se você é o amor da minha vida. Não sei bem, mas pareço estar disposta a pagar pra ver...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Até Então Era Passado

Fotografia: sillas h.
A esperança é meio suicida, se martiriza. A minha até essa tarde sangrava e desfalecia com olhos calmos e despreocupados, não queria que você fosse sem deixar marcas. Então os olhos focados naquele vazio, naquele nada criaram vida, enxergaram o rosto das belas lembranças, uma foto, o amanhecer apagado. O coração pulsante fazia a ferida rasgar ainda mais - até que enfim um sintoma normal, tive medo da dor.
Pensei em te procurar, pensei duas vezes. Procurei!
Te vi e pensei em falar-te, pensei duas vezes. Falei!
Pensei que você tivesse me esquecido, pensei errado.
Menti para mim ao te chamar de passado...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ondas



Sal, esse é o gosto
que senti quando vi teu rosto.
Não estou a devanear
é que quem nos olhava era o mar.

Aquele peixe que vi passar
se eu pudesse pediria a ele para te buscar.
Aquela estrela que vi cair, estrela-do-mar
queria ser ela e cair no seu lugar.

Aquele dia que vi amanhecer
ao som do barco navegando e seu apito.
Você achou que eu ia esquecer,
não esqueci. Se já disse repito...

Sua lembrança é maresia
na minha pele impregnada.
Ah, como eu queria
que a lembrança não fosse passada.

Saudade louca
me aperta, nunca mais o vi
o chamo com voz alta e rouca.

Mar, você que o viu
que está em mais lugares do que eu
traz ele de volta? Ele é meu!

[19/08/2010]

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Lápis-de-cor

As nossas mãos se entrelaçam em dedos firmes. Os sorrisos de canto de boca não são de propósito, são a gota de um sentimento bom que tinha de transbordar por qualquer brechinha que fosse. Afinal os olhos estão fechados e deles não sai nem entra coisa alguma, há uma imagem congelada na retina. Apesar do calor que deixa a pálpebra vermelha, o resto todo é azul. Os olhos são azuis, não os nossos que são cor das coisas sólidas, cor-de-terra, cor-de-lembrança. Refletidos no espelho um é do outro e o outro é de um.
Os olhos que nunca mais te viram, cheios de água salgada, de água do mar, esses sim são azuis e pintam uma aquarela linda de céu e areia, de eu e você.
As mãos, os sorrisos, os olhos, a areia, o céu, o mar, eu e você. Juntos de novo e pela última vez congelados no calor da praia pelos lápis que sabem de cor. Pelos meus lápis-de-cor.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

We're Going Very Far

Uma felicidade súbita me tomou agora. Vontade de escrever sobre algo que gosto e que é independente de mim. Até porque as coisas que dependem de mim dificilmente acontecem. Ando meio entediada, com vontade de fazer coisas diferentes, tirar férias dos estudos e trabalho que nem tenho. Talvez trilhar o caminho inverso de quem trabalha e vai à escola seja uma opção: arrumar um emprego ou enfiar a cabeça nos livros, sinceramente não sei qual das duas me dá mais preguiça.
Sim, estou me saindo uma perfeita burguesinha mimada. Que merda! Mas é que lá no fundo eu queria ganhar a vida com uma banda independente que faz um som que não é pra qualquer um. Ou qualquer coisa tão artística, louca e independente quanto.
Mas chega de viajar nessa minha mente maluca de hippie que eu vim aqui exatamente pra falar de um som que não é pra qualquer um...

Até o ano passado minha banda favorita era Panic! At The Disco, mas a banda se separou e eu fiquei inconsolável. Aí surgiu a The Young Veins, criada pelo ex-guitarrista e ex-baixista do Panic! Amei o primeiro single que eles lançaram Change e o CD Take A Vacation ficou incrível, adoro o estilo retro, me lembra The Beatles, que pra mim são os melhores.
Então nesse meu momento de preguicinha aguda eu ouço The Young Veins, com gosto de chá gelado na boca, me imaginando em alguma praia deserta na Califórnia, sem nada pra fazer. 
E pra quem gosta de uma musica que seu  pai doido ouviria, eu recomendo!
http://www.myspace.com/theyoungveins

I need to take a vacation 
If this is settling down 
Then why aren't you here? 
I want a big celebration 
The night we get back in town 
And I hope you're all there 

Leave the waves in the ocean
Keep it all in the picture
And leave the cold where we came from
Our loneliness will keep us warm
We're going going going very far

(...)
Leave the past out to pasture
And take the days as they come
And leave the sand in the suitcase
Just so we don't forget the fun
We're going going going very far...


[Take A Vacation - The Young Veins]

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Bê mol

Troca as pernas e cai sobre o piano.
Costuma oscilar graça de bailarina com menina desengonçada
Imagino o que pensa ao voar a dançar com o pano,
Acontece sem muito esforço, quase sempre cai na gargalhada.

Ri feito criança e na cama, cai em si menor.
Quem é essa moça que até quando cai sai notal musical?
Sei que com seus tombos, faz sinfonia muito melhor,
Regida por ela, celos e violinos numa noite de natal.

Meu sustenido e o bemol dela
Juntam-se para fazer uma canção calada,
Uma ode curta e singela.
Pensamos numa letra de mão dada.

Abre a pauta e desenha uma flore em fa sustenido
Eu nunca soube desenhar, marco-a em mim bemol
Fa, do, latejo por mim esquecido.
Pego a mão da moça e ensino o do-mi-sol.

Num abraço aumento a quinta
Para que saia a nona
Venho diminuto, quietinho, para que sinta
Que dos meus versos, não deixou de ser dona.

Moça luz de sol maior
Do bemol e sustenido
Que tomba em si menor
Do mais belo sonho já vivido.




Já é rotina isso aqui *-*

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Domingo

Amou-me as poucas, de um amor sem corpos nem bocas.
Amou-me com olhos e mãos.
De sorrisos e lágrimas, de asas e pés no chão.
Amou-me de momento, inteiro.
Amou-me de um para sempre passageiro.
Amou-me simples, terno
No tempo de ontem, eterno.
Na canção e no abraço, nas unhas desenhando um laço.
De hoje em diante e não mais na semana que vem,
De amar até morrer e só quando convém...

Chegando os 19, os 18 ainda me atormentam

As coisas foram tão lindas nesse fim de semana. Tinha até esquecido que a vida existia. Eu estava apenas existindo. Porque agora não sei se existo mais.
A vida ressoprou na minha alma e eu tinha me esquecido do quanto ela é dura e pesa! É densa, muito mais que eu, me leva pra um poço escuro, pra um vale bem fundo. Alguém me diz, PELO AMOR DE DEUS, como eu saio daqui?
Se agora eu pudesse ter um abraço, aquele sorriso, um ontem, uma resposta, um minuto de certeza que seja. De um amanhã melhor, de uma vida sem frustrações. Eu realmente devo ter algum problema, bloqueio, meus pais devem estar certos...
Era pra esse momento não ser nostálgico, mas eu me sinto em um mundo sem gravidade, flutuando sem motivo, nem foco. No vácuo! Mas ainda assim é denso, revira meu estômogo, fecha meus pulmões, pressiona a minha cabeça e todas aquelas gotas coloridas do domingo chuvoso não passam de uma previa. O prelúdio das lágrimas sem cor e sem respostas.
É só mais uma crise, eu vou me decidir por tomar uma atitude. Amanhã já vai ser tudo esquecido, como se eu não tivesse aprendido nada com tudo isso, nenhuma atitude. Eu sou tão previsível e tediosa. Olha isso: eu sinto tédio na minha própria presença! E assim vai... Quando é que vou aprender algo? Quando eu vou criar coragem pra conseguir me surpreender? Quando serei alguém interessante aos meus olhos?
Não adiantou ter medo dos 18 anos, da responsabilidade. Eu cresci mesmo sem querer! Mas a criança ainda vive, não suportou morrer no meu último aniversário. Aí vem mais um. Até quando ela vai suportar? Os medos ainda tem 4 anos, as dúvidas ainda tem 9, as paixões tem 11, a mulher nasceu com quase 12 e nunca se olhou no espelho. Não sabe nada sobre quem é agora.
A vida não tem nada a ver com existir. Existir é fácil, só requer respirar e sorrir. Viver requer corpo, alma, espírito. Tem gosto amargo. E ainda me falto eu mesma...

Queria poder seguir o conselho do poeta (musico) "eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou, saber quem eu sou"
Antes a questão fosse só seguir um conselho. Quem sabe amanhã eu não esteja disposta a escrever sobre as impressões belas do fim de semana...

"Hello there, the angel from my nightmare"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Tempo Do Vovô

Sinto falta da época em que eu ainda andava a cavalo com meu avô. O outono tinha cheiro de flor de café, comiamos fruta do pé, vovó amassava pão com a mão, eu comia mingau de fubá e raspava o tacho de doce com colher de pau.
O dinheiro era pouco, a roupa também. Mas os sorrisos eram fartos, assim como o alimento que vinha direto da horta e o espaço para brincar.
Nos dias de sol eu e meus vários primos brincávamos no mato, barranco abaixo sobre uma folha de bananeira, cafezal acima no lombo do cavalo para recolher os sacos de café que os camaradas apanhavam. Nos dias de chuva éramos só eu e minha avó ao lado do fogão, faziamos principalmente bolinhos-de-chuva, mas também doce-de-amendoim, curau de milho e biscoitos de nata ou pinga.
A vida no interior do estado de São Paulo ainda tinha ares de interior:a água fresca da mina, o café fresco do fogão a lenha, o leite forte direto da vaca, os dedos coloridos de amora no fim das tardes de verão e a grama molhada de orvalho ao amanhecer. Televisão ninguém tinha e não fazia falta. Relógios eram poucos, carregados nos bolsos, dava-se corda no tempo, hoje ele é a bateria, não precisa mais dos nossos dedos, é independente da nossa vontade.
Hoje o tacho de doces está enferrujado, as verduras vêm do mercado, não tem mais pés de frutas e grãos de café, não como mais mingau de fubá. A água da mina acabou, assim como o vovô.
(Amanda Monteiro)

Esse texto é da minha irmã, feito pra um trabalho de escola. É certo que tem uma mãozinha minha, principalmente quando se trata do fim dramático. Decidi colocá-lo aqui hoje por conta da nostalgia de não sermos mais crianças, em especial nesse dia. Não faz muito tempo que a caçulinha andava por aí toda descabelada, pegando em insetos, fuçando na terra, e ontem quando fui reparar ela já é gente feita, depois de amanhã faz 14 anos e nem tem o cuidado de acenar pra se despedir da infância que se vai. Agora nossas conversas são de um tempo colorido, inocente, sem intrigas que se foi e não volta, o tempo de nossos avós, o de nossos pais e até o tempo que a gente pensa ser nosso. Afinal os tornozelos cresceram e as mãos tem medo de se sujar.
Mas apesar de tudo, feliz dia das crianças! Se não por nós, que seja pela criança que um dia fomos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Chuvinha Passada

Em outubro as gotinhas de chuva tem cheiro de terra, é poeira entrando e queimando por todo o nariz. Primavera é sair na janela e deixar a água cair, brincar na mão e na língua.
O temporal é uma criança arteira: vem rápido e tira tudo do lugar. Mas também vai embora ligeiro, assim como a criança que era em mim.
A lembrança - De pegar água da goteira, de me demorar com a mamadeira.
Do balanço que eu tinha, do pão que vovó fazia.
Do dedo na tomada, da capa de chuva ensopada.
Da criança que fui, do velho que não sei se serei...
Das brigas com o relógio, me recuso a usá-lo no pulso ou na parede,
de correr em anti-horário e me negar a ter sede. - Essa é emaranhada em meio as veias, é pulso que faz do coração canção cantada.
Os sons ecoam da infância, a chuva ecoa das nuvens. E eu me encontrei no meio desse nada.
A chuva já é passada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Marca.

Levantou, olhou o corpo e o desejou marcado.
Toda figura que pudesse ser um sinal,
Toda figura que pudesse fazê-la ser desigual,
Diferente de todo corpo branco imaculado.

Quis fazer uma clave nas costas do punho
Quis prender a alma ao corpo e então fez um laço
Como os que usava quando era menina nas costas do braço.
Quis que o corpo refletisse o cunho.

Que refletisse a alma, aquilo que ama
Que refletisse a angústia de um amor distante
Que refletisse a nostalgia de uma fotografia na estante.
De repente, não é um corpo comum sobre a cama.

O laço prendendo a alma ao corpo e os pés ao chão
Um estigma. O toque de tinta que faltava à tela
O corpo passou a ser obra dela. Uma obra bela.
E na penumbra da vela, o amor atrás do punho, é uma canção.






Um poema para as minhas tatuagens. Eu gosto tanto dos poemas que o Cássio escreve! Não é a toa que tenho um coleção de sonetos dele bem guardados em uma caixinha artesanal *-*

terça-feira, 28 de setembro de 2010

(In)Presença

Seus pés abaixo dos meus, eles dançam de modo desajeitado e terno. Há uma música, mas a que ouço vem de dentro de nós, de um sonho ou lugar nenhum, um ritmo descompassado e simples. É fácil ser criança ao seu lado. O seu rosto descobrindo o meu, até que sua boca foi surpreendida pela minha. Me lembro dos seus lábios, chantily e veneno. É engraçado, quando queremos que as mentiras se tornem verdades elas são verdades! Creio que os tique-taques tenham cansado de contar nossos beijos. Até eu mesma dormia. Então seu braço envolvia o meu pescoço, seu corpo desenhava o meu. O encantamento do sono. A luz além da janela. No fundo da minha cabeça, os olhos distantes pelos quais eu sempre vejo o mar.

domingo, 26 de setembro de 2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Atualizando a Lista


45. Ser penetra numa festa. (no mês passado entrei numa festa dentro do porta-mala de um carro, foi incrível!)
48. Fazer uma tatuagem. (enfim, hoje fiz a tatto, ou melhor, as tattos. Assim que tiver fotos posto aqui)
54. Cantar bem alto no carro e não parar quando perceber que tem gente olhando. (queria muito fazer isso. hoje vi uma mulher que teria riscado esse item da lista, em plena 7 horas da manhã ela passou cantando "When You're Gone" da Avril Lavigne em frente a auto escola onde estou tirando carta)

Estou muito feliz! *-*

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ontem, Hoje e Mais Um Mês

O suor faz cócegas
O calor gruda na pele
O sol pesa sobre a cabeça

O pulmão escapa. O estômago vira

A estação aborrece
A brisa quente asfixia
A sua ausência mata!

A primavera chega. Você, nada!

domingo, 19 de setembro de 2010

Azul

É que eu me ponho a imaginar "e se você estivesse aqui?". Gosto de pensar em como as coisas seriam...
Quantas inúmeras vezes eu não te vi chegando? Imaginei nossos abraços, nossos diálogos e beijos - não necessariamente nessa ordem. São hábitos diários.
E as vezes em que acordei de um sonho com você, era como ser expulsa de uma obra surrealista colorida e rica. Rica de mim, rica de você, de nós dois. As pinceladas que nos fizeram juntos e completos, elas só poderiam ser daquela mão que não vi, de Morfeu. Queria dormir sempre, só pra sonhar com você.
Mas essa noite eu não te encontrei no labirinto do meu subconsciente e só de ouvir seu nome me dói. 
É você pra preencher minha solidão, segurar a minha mão, colocar meu rosto perto do seu e olhar nos meus olhos, sentir nossa respiração. Gosto de quando você diz "Te quero comigo". Gosto e dói tanto, tanto.
Já tive as lágrimas de hoje! Elas não cabem em mim. A Falta não cabe em mim, "sobra tanta falta".

Essas coisas são meio piegas, eu sei, mas me faz tão bem lembrar de tudo que é relacionado a você, quebra o tédio do domingo.
É fim de tarde. Olhei para o azul. Me faz lembrar o mar, lembrar você. E se pudesse beberia o azul todo, o do céu e o do mar, só pra ser mais cheia de você. Completa. Azul!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lacuna

Eu, Lacuna.

"Se só me faltassem os outros, vá um homem consolar-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo."


[Machado de Assis em Dom Casmurro]

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Flores

Fotografia: Sillas H.
Dizem que não se sobrevive de sonhos. Nem de flores.
Pois eu tenho sobrevivido todos esses anos. Tenho me doado aos meus sonho, tenho doado as flores.
E se não me restar coisa alguma? Seremos eu e as flores. Doadas a estranhos. Aos passantes nas ruas, aos motoristas e seus veículos esperando o verde em meio ao trânsito, aos embriagados dos bancos na praça, aos sorrisos e olhares sem nome.
Ainda assim eu viveria de flores. Não pediria nada em troca. Não recusaria a benção sem assinatura nem dedicatória.
Ver as rugas do rosto da velha senhora, que há muito não ganha margaridas, se esticarem de alegria cansada. Entregar a rosa a mulher sempre triste que nunca foi picada por espinhos - até então...
Me bastaria uma mão estendida para recolher junto ao peito o amor-perfeito.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dia de Dependência

Fotografia: Sillas H.
Era terça-feira. Parecia domingo.
O dia era de independência.
A semana estava no meio. Eu estava no meio dos cobertores e do tédio.
A TV em preto e branco. O radio fora de sintonia. A sopa sem graça. O tempo vagaroso passante.
O dia era de independência.
O dia se foi.
Foi-se o tempo em que eu não dependia.
A garoa fina caía. Dependo de você pra dar um sorriso no fim do dia.