sábado, 11 de junho de 2016

Minha Língua

Agora não penso mais em poesia
Minha língua é outra
Minha língua são os olhos
Minha língua lê silenciosa
A beira da estrada
A cor do céu
O escuro do seu olho
Que conversa com o meu

Minha língua são os olhos
E a poesia é que é outra.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aparecida

Da falta que você me faz, a sensaçao que mais ficou é que você vai voltar. Que saiu pra passear. E vai voltar. É o que você mais gosta. Passear. E voltar. E quando eu chegar você vai perguntar - teve bão?- teve bão, vó! Então vou te contar um desses costumes estranhos da comtemponaneidade, você vai olhar pro céu desacreditada e juntar as mãos como as santas que rezam nos altares. Santa. Isso você nunca foi. Sempre aprontando. Batendo cabeça, quebrando perna, destroncando clavícula. Igual criança. Diferente das santas. Você gostava de assustar. Porque gostava de passear. E quando você voltar como quem já viu cavalo, carroça e carro. Guerra e paz. De bengala. De mãos dadas. Você vai voltar. E quando você aparecer. Aparecida.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Tecido

Lá no fim, quando tudo passar
O que a gente pode ter sido?
Emaranhado
Amado,
Trançado
Sorrido,
Cerzido
Vivido.

Ter sido. Tecido

sábado, 27 de junho de 2015

O Trem Passado

Quando ouço o trem
O passado vem
Vindo
Surgindo
Sorrindo
Seguindo
Sacudindo
Subindo
Sumindo
Indo...

Passado o trem
Passado se mantém.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Carta aos Dois-últimos-anos

Queridos dois-últimos-anos,

Creio que não seja necessário começar essa carta do modo costumeiro, pois sei que estão bem. Aliás, vocês têm sido os dois anos mais sortudos e mais completos da minha vida. É claro que outros virão, mas não se incomodem, vocês com toda certeza são únicos e bem especiais!
Escrevo especialmente para agradece-los, junto com seus 730 dias felizes. Me perdoem a generalização! Desses 730, alguns não foram tão felizes e outros foram até tristes, mas toda a alegria me faz esquecer um tanto do medo, da insegurança, da angústia, da raiva, das poucas brigas, e das coisas chamadas "ruins" que vêm na lembrança agora, posso até dizer que as lembro com certo saudosismo. É por causa de tudo, das coisas boas e não-tão-boas que chegamos até aqui.
Enfim, agradeço por cada dia, por cada hora, cada minuto, cada momento. Pelas flores secas e idas ao cinema, pelos desenhos, chocolates, anéis, o quadro, aquela música, a lua dentro do quarto, as pelúcias, os livros,  bilhetes, a paciência, o companheirismo, a paz, a força e esperança. Pelas fotos, abraços, sonhos, carinho e amor, muito amor! E agradeço principalmente, por terem me dado a pessoa mais especial e maravilhosa, que me fez feliz em tudo e fez com que vocês, dois-últimos-anos se tornassem tão lindos! Obrigada por terem me dado o príncipe que sempre sonhei, aquele que sempre me inspira, o amor da minha vida!
Agora me despeço de vocês para conhecer vossos companheiros, próximos-anos que acenam adiante. Não, não fiquem chorosos! Nos encontraremos sempre por aí, nas lembranças, que certamente serão sempre boas!
Com carinho, daquela que os vivenciou.