domingo, 23 de maio de 2010

Yann Tiersen

Mais um longo domingo, um dos melhores da minha vida. Geralmente eu associo esse dia da semana com uma curta manhã de sono, uma longa tarde monótona e uma noite que já sente cheiro de segunda-feira. Hoje foi diferente:
O despertador me acordou exatamente as 7:48 (não queria acordar as 7:45, achei cedo e não queria acordar as 7:50, achei que já seria tarde. Loucura, eu sei!), se fosse um dia qualquer eu teria relutado em levantar, mas não hoje, eu sabia que seria um dia especial...
Meu plano era deixar Pinhal as 8:30, atrasei (o que não é novidade), mas é que a única certeza era de que a Renata iria, já o Sillas e o Cássio não se encontravam no mesmo estado. Acabou que meu pai levou só a mim e a Rêe, Sillas disse que precisava dormir e que a mãe dele não havia deixado ele voltar pra São João (já que ele tinha passado a noite e a madrugada lá), Cássio precisava fazer a peixada que prometeu a mãe dele e disse que pegaria um ônibus mais tarde.
Depois de ter tomado meu café da manhã tive que esperar meu pai, sentei naquele solzinho da manhã, olhei o céu super azul, e a multidão de árvores dispostas na frente de casa, o dia estava realmente lindo! Mas não dava pra ficar calma feito a brisa matinal, minha ânsia de chegar logo na frente do Theatro Municipal era maior que meus pulmões e estômago.

Já na estrada, ouviamos no player do carro um CD com musicas do Yann Tiersen, ao chegar em São João da Boa Vista a trilha sonora era "La Rade", uma das minhas preferidas. E na frente do Theatro onde seria o show mais esperado da Virada Cultural Paulista, estava o Renan nos esperando. Tinha uma dúzia, mais ou menos, de gente na fila, que agora já contava com mais três. E debaixo de sol começamos nossa linda e incansável jornada para ter em mãos alguns dos ingressos.
O solzinho já tinha virado um astro desértico e quente em demais, insupor-tável ficar lá, era mais ou menos umas 10 horas. Me lembrei que tinha esquecido a sombrinha, sentei no chão e pedi pro Renan fazer sombra pra mim. Foi quando chegou um garoto com ar de timidez e se colocou na fila um tanto longe, eu com a minha típica cara-de-pau (na verdade é tipica de quando me encontro em um estado um tanto mais elevado) perguntei de onde ele era, e foi assim que o Rafael se juntou a nós. Não muito tempo depois mais dois meninos simpáticos chegaram, eram o Ranato e o Guilherme, dois irmãos que aumentaram nossa pequena galera. Agora só faltava o Cássio, que tembém era aguardado pelo Anderson, mais um amigo de fila, que trabalha na TV e queria um entrevista em Francês com o francês.
Não suportando mais o sol Renan e Renata foram procurar uma sombrinha ou guarda-chuva, qualquer coisa que fizesse sombra em pouco mais de meio metro quadrado, não acharam. Então foi minha vez, andei cerca de cinco ou seis quarteirões e achei uma dessas lojinhas cheias de trecos e cacarecos, disse que ia levar a sombrinha. O vendedor, e também locutor de rádio, discorreu milhares de instruções sobre como abrir e fechar uma sombrinha para aumentar sua vida útil.
De volta para a frente do Theatro, descobri que a organização passou a fila para a sombra, do outro lado da rua na calçada da catedral. Lá permanecemos até mais ou menos umas 2 horas da tarde, acho. Quando mudaram a fila de volta para a frente do Theatro pra começar a distribuição o Cássio chegou.
Enfim, ingresso na mão (o meu era número 331) e mais uma fila pra enfrentar até pouco antes das 16:30. Estávamos debaixo de sol de novo, agora abri minha sombrinha nova, aliás a sombrinha guardou fila pra gente enquanto ficávamos na sombra.

Dentro do Theatro, sentada na quarta fileira, de frente para o microfone do Yann, meu coração super palpitava. E quando ele e o resto dos meninos entraram no palco eu mal conseguia ficar na cadeira. Ele começou a tocar e meus olhos encheram de lágrimas, nem acreditava que era o francês que eu ouvia há quase dois anos que estava ali na minha frente, o compositor da trilha sonora de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain! Depois que ele pediu pro povão ficar de pé eu debrucei na cadeira da frente, queria ficar o mais perto possível, a música parecia um ímã, que atraía minha alma sabe Deus pra onde. Como eu não podia voar, sempre que dava eu pulava e gritava feito louca, pirada, fora de mim; mais um pouco minha garganta teria sangrado e eu teria uma parada cardíaca por exigir demais do meu corpo. Tinha vezes que dava vontade de fechar os olhos e derreter junto com a música, mas não dava pra desgrudar os olhos do palco, lá Tiersen parecia um menino brincando de ser músico, cada vez que ele sorria era lindo e simples; por outro lado o palco parecia pequeno pra ele, a medida que música parecia querer me explodir, ele parecia inchar e ser infinito...
Yann se despediu, mas quem disse que a gente ia deixar ele ir embora assim? O Theatro inteiro fez uma barulheira enorme, palmas, gritos, pés batendo na chão. Ele voltou! E por duas vezes! E em uma dessas duas vezes ele tocou "La Rade"! E eu quis sair correndo e pular no pescoço dele!
Acabou o show e a adrenalina, minhas pernas e voz estavam moles, mas ainda assim juntei energias e disparei para o portão dos fundos do Theatro, o segurança disse que o melhor músico da atualidade sairia por lá...

Ele apareceu um tempo depois com um sorrisinho tímido no rosto e eu fui a primeira a tirar foto com ele, ele foi super simpático, fez piadinha e tudo. Também tirei fotos com todos os meninos dele e trocamos uma ideia. Até que uma das moças da produção (fiz 'amizade' com ela e mais uma) disse que a gente ia ter que sair de lá, já tinha dado a hora dos seguranças, pensei comigo "Ta né!", aí ela disse que a gente poderia ir pra um bar que os franceses queriam beber algo, eu perguntei "Em qual bar?"; ela "No que vocês escolherem".
Um tempo depois, era difícil de acreditar, a galerinha toda numa mesa tomando cerveja com o Yann Tiersen e banda, pareciamos amigos que já se conheciam e precisavam pôr a conversa em dia. Até ganhei uma moeda de eurocent do Stephan, o cara do som.
Não bastando tudo isso, o tecladista perguntou se a gente queria carona até São Paulo, pena que não moro em São Paulo. Não se pode ter tudo na vida, mas sou grata a Deus por tudo que ele me deu. Então só nos restou levar eles de volta para a frente do  Theatro. Conversamos mais um pouco enquanto a produção preparava a partida, e lá tiveram duas coisas que me marcou, as meninas de São Paulo que ensinaram o guitarrista, Robin, falar "saudade" e o abraço de despedida de cara um deles com a promessa de que eles voltam.
Meu pai pegou a gente na frente do Theatro mais ou menos uma hora depois, eu ainda não conseguia parar quieta, ao entrar no carro pedi pra colocarem o CD do Yann de novo, eu tinha que reouvir, enquanto contava o longo domingo pro meu pai e minha irmã.
Nos próximos dias vão ter que me aguentar pensando só nisso (parecendo uma romântica idiota) e falando só disso...


Myspace dos meninos:
Yann Tiesen: http://www.myspace.com/yanntierseninprogress
Robin Allender(guitarra): 
http://www.myspace.com/robinallender
Lionel Laquerrierre(i0logic): 
http://www.myspace.com/i0logic
Dave Collingwood(bateria): 
http://www.myspace.com/dwcollingwood
Stephane Bouvier(baixo): 
http://www.myspace.com/bouvierstephane


Fotografias: Renato Correia

Um comentário:

  1. Adorei a história Rebeca. Ótimo fotógrafo também...rsrs

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