segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Ferrugem

É só um canto alaranjado de ideias enferrujadas,
cheio de coisas que de tanto respirar, inspiram - folhas secas amontoadas.
Afinal enferrujar é oxigênio!
Enferrujar é estar no mundo, participar dele e mudar com ele,
é viver e transformar e reformar e respirar.
Enferrujar o velho que foi novo
e que, quem sabe um dia, será renovo.
De novo...

"Quando há ferrugem no meu coração de lata,
é quando a fé ruge e meu coração dilata."


sábado, 4 de outubro de 2014

O Dobro

Falam por aí sobre encontrar a metade. Falam sobre ser completo, ser um inteiro!
Acho até bonito, mas no meu caso foi diferente.
Quando te encontrei senti que metade de cada seria pouco para nós.
É só uma questão mais ou menos matemática, não muito exata:
Eu sou um inteiro e você é outro inteiro, portando somos o dobro!

Ou mais...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma Carta

São três da tarde, não faz muito tempo que acordei de um cochilo sem sentido, é que tava sobrando muito vazio por todos os lados, me via na companhia da falta, aí preferi dormir e sonhei com você. No sonho eu brigava com o mundo, ou o mundo brigava comigo, não sei bem, lembro que abri o guarda-roupa, juntei algumas coisas, peguei o livro que você me deu, que comecei ler tem poucos dias, e corri pra sua casa, também lembro que senti uma ansiedade imensa de te ver e de repente bati na sua porte e você me olhou um pouco assustado, mas feliz. Você  me acolheu, porque é o que você sempre faz, e depois acho que me deu um abraço, não consegui saber direito se era um abraço, mas devia ser porque tudo que eu senti foi paz e felicidade.
Então, tive a má sorte de acordar e sentir o buraco que separava a gente. Senti medo de ficar sozinha e fiquei com raiva de você. Mas depois lembrei do quanto você me faz feliz, de como ficamos bem deitados na sua cama, eu sentindo sua respiração suave na minha nuca, me fazendo cocegas, é a melhor sensação estranha do mundo. Lembrei de quando você enruga a testa pra mim, brincando que está bravo e logo depois sorri daquele jeito lindo, com esses seus lábios cor-de-rosa que eu gosto tanto, é aí que me sinto feliz. Vi você lá dentro da minha cabeça dançando pra mim, com as mãos na cintura e eu ri sozinha. Ouvi sua voz cantando "Better Together" e chorei sozinha, aí me senti realmente uma pessoa de muita sorte por ter você. Lembrei de todas as coisas especiais, as flores murchas, o pic-nic, a lua dentro do seu quarto e a carta.
E agora, eu só quero que não briguemos mais. Eu queria a campainha tocando, igual hoje de manhã e já saber que é você antes mesmo de te ver entrar. Eu quero que você me traga chocolate e flores mais uma vez, porque é isso que você sempre faz, e é isso que eu sempre quis. Eu quero te abraçar, te beijar, segurar seus rosto, olhar nos seus olhos e dizer que te amo, aí eu quero muito que você acredite nisso, e diga que vamos ficar juntos pra sempre. Eu quero fazer tudo do seu lado, tendo sempre, sempre sua companhia, casar, ter nosso cantinho, nossos filhos, nossos livros e filmes, até o gato que você nem gosta. Eu quero dormir e acordar do seu lado e sonhar com você, junto com você. Eu quero fazer planos. Mas eu quero principalmente que você confie em mim. Eu quero que você não tenha medo, que você saiba que eu não quero mais ninguém nesse universo, que eu não preciso falar, nem saber, nem sentir falta de mais ninguém.
Desculpa não ter atendido o celular quando você ligou, é que eu estava escrevendo isso pra você, eu senti que precisava. Eu quero muito ser feliz do seu lado, então não faz essas coisas comigo, de se calar e dizer que precisa pensar, não me deixa sozinha porque a vida sem você deve ser muito sem graça. Eu não sei o que fazer, eu fico sem ter aonde ir e sem motivo pra fazer qualquer coisa que seja.
Nunca pense que eu não te amo, porque eu te amo! E nunca pense se preciso de mais alguma coisa além de você, porque eu não preciso!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sussurros

Eu gosto quando a gente conversa assim, sussurrando.
Como se cada palavra nossa falasse sobre um segredo,
Como se cada coisa boba fosse a mais importante do mundo.
Tão importante quanto sei que sou para você.
Tão importante quanto você é para mim.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os Sapatos

O passarinho estava na calçada, nuca encolhida, olhar assustado e, assim que viu o ninho lá em cima foi se afastando em choque até esbarrar em algo. Era um par de sapatos envernizados. O coração palpitou e as penas eriçaram, correu para procurar abrigo. Os sapatos nem o notaram.
Recostou-se no canto do canteiro ente uma bituca de cigarro e uma raiz, debaixo de uma flor. Caira do ninho. Agora, a criaturinha observava todo tipo de pés apressados cravando suas solas e saltos na calçada do parque, já um tanto desgastada pelo tempo. De tempo, de atraso, de pressa.
Um sapato marrom vinha urgente e foi diminuindo o passo enquanto um salto vermelho passava ágil ecoando um toc-toc ritmado, mas logo o padrão voltou acelerado. Passou um tênis correndo e outro desamarrado. Um sapato branco, um manchado, um descorado e mais um envernizado. Passou um pé descalço. Uma bota, uma sandália e um chinelo cruzaram com dois pares de saltos bem apanhados e um terceiro descascado.
 A avezinha se distraíra com a correria dos pés e sem mais nem menos a flor debaixo da qual se escondia fora apanhada, de novo se assustara. Eram mãos pequenas e gordinhas, de dedos curtos. As bochechas eram coradas e os olhos escuros, igual ao cabelo cacheado. O sapatinho rosa pisava meio desajeitado com suas meias brancas de algodão. A menina encarou o pássaro, uma mão segurava a flor e a outra se esticava para pegá-lo. A respiração do pequenino era nervosa e descompassada.
A mãe da garotinha já ia longe na calçada com sua agenda cheia de compromissos quando deu pela falta da filha que vinha em sua direção de braços esticados entregando-lhe algo. Era um passarinho bem pequeno, com poucas penas. Ele tremia. A mãe o tomou e, esquecendo do relógio, olhou para a árvore ali perto, conseguiu ver um ninho. Aproximou-se dos galhos e esticando-se além dos sapatos de salto colocou-o de volta no ninho. Tomou a menina pela mão. Continuou a rotina. A menina ora olhava a mãe, ora olhava para trás. Imaginava o pequenino de volta à sua mãe, de volta ao lar. E continuou a imaginar.


* Texto produzido para a matéria de Português do curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UNIFAE)

domingo, 25 de agosto de 2013

Retrato

Sabe os sorrisos no retrato?
É pra mostrar o fato
de que você é exato pra mim.
E vai ser sempre assim.

sábado, 13 de julho de 2013

Naquela Rua

- Foi só um sonho ruim - eu me dizia o dia todo. Porque eu sei que você está naquela rua, encostado na parede, bem onde a calçada faz a curva, com as mãos pra trás de quem já está satisfeito e descansa e espera.
E quando eu passar e chamar seu nome são os olhos de céu que vão encontrar o rumo e o sentido da minha voz. Você vai acenar pra mim, não pra se despedir, mas sim pra dizer com a mão "A gente se vê por aí".
- A gente se vê, até mais vô João!