Não me importaria em dissolver e terminar em você...
25/02/2012, Ubatuba - SP
| Por: Renata |
Mais um longo domingo, um dos melhores da minha vida. Geralmente eu associo esse dia da semana com uma curta manhã de sono, uma longa tarde monótona e uma noite que já sente cheiro de segunda-feira. Hoje foi diferente:
O solzinho já tinha virado um astro desértico e quente em demais, insupor-tável ficar lá, era mais ou menos umas 10 horas. Me lembrei que tinha esquecido a sombrinha, sentei no chão e pedi pro Renan fazer sombra pra mim. Foi quando chegou um garoto com ar de timidez e se colocou na fila um tanto longe, eu com a minha típica cara-de-pau (na verdade é tipica de quando me encontro em um estado um tanto mais elevado) perguntei de onde ele era, e foi assim que o Rafael se juntou a nós. Não muito tempo depois mais dois meninos simpáticos chegaram, eram o Ranato e o Guilherme, dois irmãos que aumentaram nossa pequena galera. Agora só faltava o Cássio, que tembém era aguardado pelo Anderson, mais um amigo de fila, que trabalha na TV e queria um entrevista em Francês com o francês.
Dentro do Theatro, sentada na quarta fileira, de frente para o microfone do Yann, meu coração super palpitava. E quando ele e o resto dos meninos entraram no palco eu mal conseguia ficar na cadeira. Ele começou a tocar e meus olhos encheram de lágrimas, nem acreditava que era o francês que eu ouvia há quase dois anos que estava ali na minha frente, o compositor da trilha sonora de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain! Depois que ele pediu pro povão ficar de pé eu debrucei na cadeira da frente, queria ficar o mais perto possível, a música parecia um ímã, que atraía minha alma sabe Deus pra onde. Como eu não podia voar, sempre que dava eu pulava e gritava feito louca, pirada, fora de mim; mais um pouco minha garganta teria sangrado e eu teria uma parada cardíaca por exigir demais do meu corpo. Tinha vezes que dava vontade de fechar os olhos e derreter junto com a música, mas não dava pra desgrudar os olhos do palco, lá Tiersen parecia um menino brincando de ser músico, cada vez que ele sorria era lindo e simples; por outro lado o palco parecia pequeno pra ele, a medida que música parecia querer me explodir, ele parecia inchar e ser infinito...![]() |
| Renata, Júlia e eu; porta principal do Shopping Morumbi |
Desde pequena eu adoro Santos, minha familia costumava passar as férias de verão lá e foi ótimo sentir a maresia de novo, o gosto salgado, o ar grudento e pesado e a mudança da pressão. Só que esse verão seria totalmente diferente dos outros, porque lá estava ele, um transatlântico enorme nos esperando no porto!Enquanto esperava que fizessem o check-in por mim eu tentava me distrair com minha leitura infanto-juvenil, Poderosa 5. O ambiente do cais já se tornara familiar quando chegou a hora do nosso embarque, aquele navio parecia um prédio encima da água! E como era lindo! A tapeçaria do chão, o metálico do elevador, a decoração de cada ambiente! E Deus, o que era aquela comida? Tantos legumes que nem se eu fosse carnívora pediria carne. A primeira coisa que fizemos ao chegar foi almoçar. Depois eu e minha mãe fomos conhecer o navio: trilhões de bares (não sou exagerada não), o cassino, as piscinas, o teatro, a academia, o spa e os restaurantes - me sentia a rainha da Inglaterra jantando.
Passamos dia de domingo no porto de Santos e no fim da tarde começamos a navegar em direção ao Rio de Janeiro.
Na terça nós amanhecemos em Ilha Bela, a praia mais fofa e encantadora que já conheci, achei que fosse impossível ver um mar mais azul que no Rio, mas em Ilha Bela era ainda mais azul, acho que eu nunca tinha visto aquela cor em todos os meus 18 anos. A Ilha também era encantadora, olhando das janelas do cruzeiro parecia que os moradores não poderiam ter achado melhor maneira de viver em contato com a natureza e não pude evitar de querer molhar meus pés na praia de areia pedregulhenta cheia de peixinhos. E foi lá que eu fiz minha primeira amizade, o Fabricio. Ele também estava a bordo, me apresentou mais algumas pessoas e curti demais a última noite. Jantei pela última vez sentindo o balanço do mar, comi muitas frutas na festa ao lado da piscina e depois fui pra discoteca, lá conheci o Gustavo, a Letícia, o Marcio e mais um monte de gente. Quando a música parou de tocar subimos pra um dos pontos mais altos do navio pra ver o sol nascer.